18 de mai de 2009

Vou colocar a Inge na mala ~ Inge goes on my suitcase

PORT/ENG Os ventos da oportunidade me trouxeram do Rio de Janeiro para São Paulo em fevereiro de 2008. Há mais de um ano trabalho em terras paulistas e gosto de morar aqui. Mas esta não foi a primeira vez que me mudo de cidade. Na verdade, eu já morei em tantas cidades que poderia fazer uma listagem relativamente extensa com o nome de todas elas. Aprendi a deixar-me ir... E a noção de transitoriedade foi se tornando um fundamento da minha personalidade. Tantas adaptações e superações trouxeram uma riqueza inestimável à minha vida. Me tornei uma pessoa forte, bem resolvida, do tipo que topa boas paradas e não tem medo do desconhecido, muito pelo contrário, o que não conheço tem um apelo quase irresistível pra mim.
De todas as minhas andanças o que fica de mais precioso são os amigos que eu fiz em cada cidade. Estes eu levo na mala do coração para as próximas paradas. Jamais os deixo para trás.
Voltando um pouco para o “case” de São Paulo, não foi fácil começar do zero aqui. Passei noites a fio acompanhada por livros e vozes da família ao telefone. Viajava pra região de montanhas sozinha e sempre almoçava olhando para o prato. Aprendi a gostar muito da minha própria companhia mas, às vezes, no meu íntimo, eu desejava que as circunstâncias fossem um pouco diferentes. Quando a vida estava ficando solitária demais eu fui salva por uma amiga de longa data da minha irmã. A conhecemos quando morávamos em Ceres, minha cidade natal. Éramos muito diferentes naqueles tempos, a Inge tinha cabelo toin-oin-oin, minha irmã parecia uma índia curumim e eu era dentuça. Mas tínhamos lá nossas afinidades e a amizade foi estreitando com o passar dos anos.
Quando Cláudia me visitou aqui em Sampa ano passado, ela marcou de sairmos com a Inge. Foi um reencontro muito gostoso e longo. Atualizamos as novidades e trocamos telefones, mas como Inge estava namorando, não nos falamos muito a posteriori. Daí ela ficou solteira, como eu na época, e nos tornamos companheiras de balada. Foi uma felicidade só!
Roletamos juntas por muitos lugares diferentes. Amanhecemos na Sirena em Maresias, curtimos shows, bares, sanduíches no final da balada, sorvetes e uma porção de outras coisas boas. Ela se tornou minha melhor amiga, uma fadinha inabalável que tem sempre a palavra certa pra confortar na ponta da língua. A Inge é mandona, mas eu não me importo com isso (detalhe, ela é de leão e eu de peixes... fica fácil pra ela). Todo mundo tinha que ter uma amiga como a Inge pra saber o que é uma amizade de verdade.
Me orgulho muito dela.Muito mesmo.

Bem...
E aí...
A verdade é que...
Tá difícil pra mim te contar uma coisa Inge. Sei que é covardia me esconder atrás de palavras neste blog, mas eu bem que tentei conversar contigo no fim de semana e ontem (que tal um sorvete?). Não consegui. A verdade amiga, é que chegou a hora de te colocar na mala do meu coração e seguir para a próxima parada. Eu estou me mudando mês que vem de São Paulo, pelos mesmos motivos profissionais que me trouxeram. Vou pra nossa terra, pra Goiânia. Depois me mudo pro outro lado do oceano. Estou muito confusa porque as mudanças estão acontecendo muito depressa, me pegaram de surpresa quando as raízes comevaçam a brotar aqui, em grande parte, por ajuda sua. Como diz Cecília Meirelles:

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo e
eu para sempre te leve...

Vamos marcar uma prosa na Padoca amiga. Desculpe a minha covardia.
~~~~
The winds of opportunity brought me to São Paulo in February 2008. But this is not the first time I move to a different city, to be honest I have almost lost count of how many times I've moved. After so many changes, I learned to let myself go... and the concept of change has become a foundation of my personality. I became a stronger person, always ready to embrace new challenges and face the unknown, which has an almost irresistible appeal to me. The only thing that makes me sad about moving is being away from the new friends that I make. These precious friends I pack on the suitcase of my heart and I take them to the next stops. I never leave them behind.
Back to São Paulo, starting all over here wasnt easy. Even tough it is the 3rd out of the largest metropolitan regions of the world, making friends here is as hard as if you were isolated in an island. I used to travel to the mountains all by myself and whenever I had to eat out I only had my plate as a companion. I learned to enjoy my own company very much, but deep in my heart, I wished the circumstances would be a bit different. Then I was finally saved by a friend that I met a long time ago, when I was just a kid in my hometown. The wheels of fate brought us back together in São Paulo after 18 years of very few contact. And we became best friends.
Inge and I did a loooot of things together during the time I’ve been living here in São Paulo. We went to many places together, we took trips, went to nice parties, cool bars, cried watching romantic movies, sometimes we didn’t do anything exceptional, but being with my friend was already fun enough. All in all, we shared amazing days together.
But...
The same professional reasons that brought me to this city are leading me to a next stop. The news really caught me off guard and I am still a bit shaken with the whole thing. I am moving next month to face this new challenge and the only thing that makes me really sad is not having my dearest friend Inge around. I have already packed her in the suitcase of my heart. And she will go with me wherever the winds of opportunity take me!