26 de set de 2011

Amor de Tia ~ Aunt's love

Amor de Tia é carinhoso, é intenso, é cuidadoso. Mas é um amor por vezes atrapalhado, principalmente quando a Tia

 ainda não foi Mãe. Na hora de trocar a fralda, o amor de Tia não leva jeito, é lerdo e faz a Bebezinha chorar, apesar das tentativas de acalmá-la ao som de Alecrim Dourado e Cai Cai Balão. Amor de Tia tem mil encantos, mas não tolera o cheiro de cocô na fralda. Amor de Tia é forte, mas não aguenta segurar a Bebezinha no colo por muito tempo. Amor de Tia traz todas as encomendas imagináveis da Alemanha para o Brasil, sem reclamar muito, só pra ver a Mãe da Bebezinha feliz. Amor de Tia testa a paciência das suas amigas ao mostrar dezenas de fotos da sobrinha, uma quase igual a outra, mas todas lindas, não é mesmo? Ela não é linda? É o amor da Titia...
Amor de Tia faz mil malabarismos para arrancar um sorriso da Bebezinha... E quando isto acontece, quando aquele sorriso ainda sem dentes se estampa no rosto da Bebezinha, a Tia transborda de amor... E o mundo fica doce como um pirulito.

E quando a Tia, além de Tia é madrinha, ahhhh...
Ela vem de longe pra batizar sua afilhada!

-=♥=-

23 de set de 2011

O Deus dele pode ser um elefante ~ His God can be an elephant

Eu estava sentada na cantina da TUD (Technische Universität Dresden), acompanhada por um colega indiano, um colombiano, uma iraniana, uma tailandesa e um beninense, e a comida horrível daquele dia que fez nossa conversa enveredar para a religião. Este tópico não é dos melhores para se discutir numa mesa tão, digamos, eclética em termos religiosos e geográficos. Mas eu disse em voz alta que a minha carne de porco estava ruim, e ao ouvir meu comentário, o colega de Benin disse que nunca vai ter este problema (comer carne de porco ruim) porque carne suína é proibida em sua religião. 
Happy hour no meu ap em Dresden
Então eu perguntei a ele: porque é proibido?
E ele respondeu que os mulçumanos consideram o porco um animal muito sujo. E portanto não comem a carne dele.
Daí eu engatei uma pergunta pro colega indiano: - porque na Índia não se come carne de vaca? Ele disse que para o hinduísmo, a vaca é sagrada.
O colombiano, num tom jocoso e levemente debochado, perguntou: - Sagrada como? O que é algo sagrado para você?  É verdade que os elefantes também são sagrados na Índia?
O indiano, na maior das paciências, explicou que as vacas são consideradas puras, e  não podem ser mortas nem feridas. Detalhe: elas têm passe livre para circular pelas ruas na Índia sem serem incomodadas. Já os elefantes estão presentes em vários quadros hindus, e podem representar a divindade. Ele disse que um elefante pode ser Deus. Uma árvore pode ser Deus. Ele mesmo pode ser Deus, pois tudo o que é vivo é divino. De acordo com a religião dele, todos os seres vivos, do capim ao elefante, carregam dentro de si uma energia vital e um pouco do mistério da vida.
O colombiano disse que Deus é o pai de Jesus. E Jesus derramou seu sangue por todos nós. Ele sacrificou sua vida por nós, e não devemos nos esquecer disto. Neste momento, flechas invisíveis de intolerância (→ → →) saiam dos olhos do colega colombiano, rumo ao indiano e ao beninense.
O beninense disse que seu Deus é o Alá, e Maomé é seu profeta,  mas ele respeita o colega indiano. Ele respeita que Deus pode ser um elefante pra ele. A querida tailandesa murmurou baixinho que respeita o elefante. E o indiano. E nos explicou que ela acredita em reencarnação. E se ela não for uma boa pessoa, ela pode regredir na escala humana e voltar como um animal. Se isto acontecer, ela quer voltar, no mínimo, como um pássaro. Para voar. Ela quer voar.
A iraniana só sabia rir da nossa conversa. Ela ria enquanto separava os pedacinhos de bacon que estavam no seu macarrão, porque ela também não come carne de porco. Mas ela respeita a crença do indiano, da tailandesa, do colombiano, do beninense.
E quando me perguntaram qual a minha religião, e no que eu acredito, eu disse que sou por tradição cristã e católica. Mas que eu, francamente, acreditava num pouquinho de tudo o que eles me disseram...

-=♥=-