15 de jan de 2013

Cadê o sutiã, ma chérie? Where is your bra, my dear?

Durante as férias de verão, observei alguns comportamentos que me fizeram pensar sobre a linha tênue que divide estar à vontade e respeitar ao espaço do outro.
A cena pode parecer banal, mas se analisada com profundidade, pode revelar desrespeito e até um bocadinho de soberba.
Vamos à cena:
Imagine a piscina de um lindo resort nordestino frequentada por hóspedes em trajes de banho sumários, como manda o figurino no Brasil. Até aí, nada atípico. Agora adicione à cena duas turistas francesas fazendo topless, com os seios tão expostos à própria sorte quanto as jangadas no mar do Ceará.

No rosto das estrangeiras não havia nenhum tipo de constrangimento por causa dos titiones (seios) ao sol. No rosto das brasileiras, havia constrangimento sim. Um constrangimento que passava rápido porque as estrangeiras não estavam se insinuando pra ninguém, pelo contrário, elas eram muito reservadas. Mas o constrangimento ia embora e voltava. Voltava na forma de um simples questionamento:
- Porque estas turistas deixam os seios descobertos mesmo depois de ver que as brasileiras cobrem os próprios seios?
Eu já estive no sul da França e sei que o topless rola solto por lá. É peito de fora, sovaco cabeludo, praia de nudismo pra todo lado e ninguém se importa com a vida de ninguém.
Mas no Brasil não há topless. Eu, particularmente, nunca vi uma mulher brasileira com os seios à mostra na praia ou na piscina de um hotel. Vocês já viram?
Pois então: as francesas tinham seios e também olhos para reparar como as pessoas se trajam aqui. Ainda assim, elas decidiram deixar os seios, digamos que, livres, leves e soltos.
Seria essa atitude um despojamento natural da raça delas ou um desrespeito às regras implícitas do país que elas estão visitando?
Eu, Márcia, cultivo um respeito que beira o conservadorismo, principalmente quando estou na terra dos outros. Procuro me adequar às regras, mesmo as implícitas. Isso é respeito. Isso é cuidado. Isso é sensatez.
Não tenho rei na barriga nem na história do meu país que respalde, ou instigue comportamentos prepotentes. Entretanto, muitos cidadãos de países desenvolvidos carregam reis na barriga... Isso é real. A grande questão é que os reis foram depostos há tempos... Mas as atitudes soberbas permaneceram no trono.
Dito isso, concluo que: se eu fosse à França, eu até poderia fazer topless porque as francesas o fazem. Mas eu, francesa, não faria topless no Brasil porque as brasileiras não o fazem.  
Eu penso assim... E você?