24 de jul de 2013

Fotos pulando ~ Jumping pictures

Fotografia é expressão. Fotografia é registro. Fotografia é diversão. 
Além de gostar de fotografar, edito livros de fotografia que retratam, na maioria das vezes, viagens. 
E através das fotos eu percebo que as pessoas têm um certo padrão na hora de fotografar, padrão que se reflete nas poses preferidas, ou até mesmo, nas poses "caricatas". 
A pose caricata do meu irmão é hilária: ele se deita nos bancos das praças, como se estivesse dormindo, e pede para alguém fotografar a cena. Não há uma viagem sequer que ele não fotografe um "soninho fingido" no banco da praça, kkk.
Outra amiga-cliente ama fotografar, juntamente com o namorado, a pose do "cavalinho" das quadrilhas. Eles juntam as mãos e saem em disparada, dando pequenos pulinhos... Dá pra imaginar a cena em frente ao Coliseu na Itália? A foto ficou um colosso!
Minha irmã gosta de posar para fotos com o pescoço levemente jogado para a direita. Minha mãe geralmente coloca as mãos na cintura. Já a criatura que escreve gosta de fotografar pulando... Esta é minha pose caricata!
A síndrome do canguru me acometeu na adolescência e até hoje eu sofro os sintomas kkk. Não há viagem que eu faça que escape de um pulinho! 
As fotos pulando são espontâneas e divertidas, mas também são cansativas... Haja preparo pra pular até o clique perfeito! Até lá o cabelo fica bagunçado, o rosto fica tensionado, as pernas desengonçadas...  Mas tudo é festa! O que vale é sair da pose convencional (aquela do sorrisinho comportado) e pirar na foto!

O equipamento ideal para fotografar pulos é aquele com ajuste de fotometria. Para "congelar" o movimento, a velocidade do obturador deve estar bem alta. 
Um efeito bacana para aplicar nas fotos pulando é a sobreposição de imagens. Quando se fotografa a sequência inteira do pulo, desde o agachamento até o salto propriamente dito, fica ótimo mesclar as imagens!
Na foto acima, sobrepus duas fotos. 
Na foto abaixo, sobrepus três.
O efeito de sobreposição é feito no Picassa: vá em colagens e selecione sobreposição de imagens. Bem simples!
Abaixo outros cliques meus pulando... É viciante ;) 
Quem está por perto na hora do clique se contagia com a pose e acaba pulando também. É um barato!















E aí, vai rolar um pulinho na sua próxima viagem?
Você tem alguma pose caricata?
Conta, conta!

19 de jul de 2013

Machu Picchu

Poucos lugares no mundo são tão bonitos e fotogênicos quanto Machu Picchu. São incríveis as construções, a disposição das casas no terreno acidentado, a arquitetura dos prédios, a colocação das pedras nas paredes e, principalmente, a harmonia da arquitetura com o meio ambiente. Machu Picchu parece ter brotado naturalmente da montanha, de tão perfeita é a sintonia entre as pedras e o verde. 
Mas o que sobra de evidência física falta de evidência histórica. A cidade misteriosa dos incas está rodeada de teorias, mas faltam provas. Provas que atestem inclusive, que a cidade foi habitada algum dia.
Diferentemente dos outros posts que publiquei sobre o Peru, nesse vou pular a história e ir direto para a experiência. Quero relatar a viagem a Machu Picchu da forma mais realista possível, contemplando os perrengues e a dureza que é chegar até lá. Compensa? Claro. Mas é dureza. 
Eu e Mãe despertamos às 3:00 da matina e às 3:30 o ônibus da excursão nos pegou no hotel. Viajamos por quase 2 horas até a cidade de Ollantaytambo, passando um frio horrível e tenebroso dentro do ônibus sem aquecimento. Fiquei com saudade do chapelón de lã. Mas o jeito foi aguentar firme. 
Descemos direto na estação de trem de Ollantaytambo.
Pensa num lugarzinho desorganizado e cheio, cheio, cheio, cheio de gente... 




Numa estação de trem que se preze, há placas indicando o número dos trens que chegam e que partem. Mas lá no futi do Peru, você precisa chegar perto do trem e perguntar gentilmente ao funcionário qual é o número daquela bendita embarcação. O problema é que eu não era a única turista que precisava desta informação. Resultado: espreme-espreme. Confusão. E caos. América Latina...
O segundo trem que passou por Ollantaytambo era, felizmente, o que deveríamos pegar. Entramos no Vistadome, que é o meio termo entre o trem mochileiro (Backpacker) e o chiquérrimo Hiram Bingham. Já sentada, senti novamente o gosto da civilidade. E do conforto. Nota 10 pro Vistadome!






As janelas e teto panorâmico dão aos passageiros uma visão privilegiada do trajeto, que na minha opinião, vale tanto a pena quanto a própria Machu Pichu. 




O trem serpenteia pelo famoso Vale Sagrado... 
E depois de uma hora e meia de viagem, chega a Aguas Calientes. 
A identificação dos turistas é feita na base do grito. E dos cartazes. 
{Organización parte II}
Aguas Calientes é feiosa e só existe em função de Machu Pichu. O lado bom de estar lá é estar mais perto do destino final.
Para alcançar Machu Pichu, entramos num micro-ônibus novinho e fomos avisadas de que o trajeto duraria 20 minutos. O que não nos falaram é que a estrada é medonha de estreita e sem proteção alguma nas laterais. Quem tem medo de altura se lasca. Até eu que topo altura, senti um frio na espinha ao olhar o despenhadeiro. Mas fomos na fé...  Machu Pichu na cabeça e fé no coração.
No cume da montanha, há uma boa estrutura com banheiros (e longas filas no feminino), restaurantes e uma chapelaria. O frio já tinha cedido lugar ao calor, e sabendo que iria me exercitar muito, deixei o casaco na chapelaria. Foi uma tacada de mestre!
Olhei para o Vale Sagrado, lindo de morrer, e me perguntei: - cadê o cansaço? Pluft! Foi embora! 
Entramos no parque arqueológico de Machu Picchu.
Quando digo entramos, por favor entenda: eu + Mommys + um milhão de turistas vindos de todos os cantos imagináveis do Planeta Terra. 


Subimos, subimos, subimos e começamos a ver a cidade maravilhosa, digo, a cidade misteriosa... 
Até que ela se revelou inteiramente. 
Jesus apaga a luz!
Isso aqui é lindo demais!!!

Depois do sobe, sobe, sobe, veio o desce, desce, desce. Eu, Mommys + 1 milhão de turistas vindos de todos os cantos imagináveis do Planeta Terra subimos e descemos escadas incas, fazendo um lifting express nas nádegas. 
A Dona Maria suava em bicas e usava o guarda-chuva como guarda-sol. Sem perder o humor. Mas foi por pouco... 



E vamos andando, minha gente!
Daqui a pouco a gente toca as nuvens!
Será que estou conseguindo mostrar pra vocês o quanto Machu Picchu é bonita?


Pedra encaixada sobre pedra. Com precisão milimétrica e sem qualquer tipo de rejunte.
Aprenda engenharia com os incas!




Rola uma pausa pro descanso?
Eu mereço!


As Llamas passeiam pelas ruínas e comem capim verdinho. Que vida boa!
Natureza + arquitetura caminhando juntas!

Ficamos cerca de 4 horas em Machu Picchu. O período foi suficiente para explorar as ruínas, fotografar, pensar na vida, na história e, sobretudo, contemplar uma paisagem ímpar no mundo. O clique abaixo retrata sintonia perfeita da cidade misteriosa com ambiente.
Retornamos a Aguas Calientes, almoçamos uma comidinha super delícia e, 3 horas depois, começou o perrengue do retorno.
Sei que quem busca pontualidade e organização viaja pra Suíça, e não para o Peru. Mas a falta de organização nas estações de trem peruanas extrapola a tolerância. Era funcionário gritando, gente correndo pra pegar os assentos que eram marcados e foram desmarcados de última hora... Olha, foi um pagode.
Troquei uma idéia com pessoas que viajaram pra Machu Picchu e a queixa da desorganização foi universal...
Autoridades peruanas, "miorem" o esquema por obséquio!
19 horas depois de termos entrado no buzú de madrugada, retornamos ao hotel. Estávamos exaustas até o último fio de cabelo e a pouca energia que nos restava só foi suficiente pra tomar banho, pedir algo pra comer e capotar!
Machu Picchu, foi um grande prazer te conhecer.

Mas já dei por visto ;)

16 de jul de 2013

Cusco: o centro dos quatro cantos do mundo

Cusco acumula predicados audaciosos desde sua concepção. Como capital da civilização inca, era considerada o centro dos quatro cantos do mundo e de onde todos os caminhos partiam.
Mas o desenrolar da história, liderado por ambições espanholas, destruíram o egocentrismo geográfico dos incas. Cusco foi quase toda destruída e, de capital do mundo, tornou-se o quintal da Espanha.
A independência peruana veio em 1821, mas a influência espanhola, já encrustada na arquitetura, nos hábitos e na política, permaneceu. 
Caminhar em Cusco, assim como caminhar em alguns bairros de Lima, é transportar-se rumo ao Velho Continente. No entanto, basta olhar na face dos peruanos para dar-se conta que ceviche não é paella. E que o Peru tem cacife e personalidade para se distinguir. 
Cusco é atualmente a capital turística do Peru, a capital arqueológica da América do Sul e Patrimônio Cultural da Humanidade. Já falei que a cidade acumula predicados audaciosos... E tendo conhecido a cidade, acho os predicados mais do que justos. 
Visitei Cusco em tempos de festa, poucos dias antes do Inti Raymi, o Festival do Sol. A cidade estava abarrotada de turistas e de bandeiras exibindo as cores do arco-íris. No ímpeto, pensei que Cusco queria porque queria se declarar gay friendly.
Mas quando vi a bandeira do arco-íris na torre de uma Igreja, pensei: hum... no creo! 

Turistas: não pensem que Cusco e suas Igrejas de Cusco sejam tão liberais. A verdade por trás da bandeira cusquenha é que as cores do arco-íris refletem o e estandarte do antigo império Inca.
Detalhe: a teoria acima é fortemente reforçada pelos cusquenhos, que não querem sua virilidade questionada.
Por falar neste assunto, achei os peruanos bem "pra frente"...


{kkk}
Voltando à história: daquela Cusco construída pelos Incas, pouco sobrou. Os vestígios mais evidentes são as fundações incaicas, feitas com pedras milimetricamente encaixadas e muito difíceis de serem destruídas. Sobre estas pedras foram construídos prédios espanhóis, deixando Cusco com uma característica peculiar: da calçada até um pouco mais de um metro de altura erguem-se as pedras das construções incas. A partir daí seguem paredes rebocadas em estilo colonial. 
A praça principal de Cusco, chamada de Praça das Armas, localiza-se no centro da cidade e é uma boa referência para encontros e passeios. No período inca, esta praça era considerada o centro da terra e de lá partiam em cruz os quatro caminhos para os cantos do mundo. 
É na Praça de Armas que o buxixo cusquenho acontece. Não houve um dia sequer que eu não passeei por esta praça!
 Achei o centro de Cusco um colosso cheio de detalhes que saltam aos olhos. 
Repare a riqueza de detalhes desta placa: no topo o Rei Sol, na lateral flores brinco de princesa e rococós lindos emoldurando o nome da rua... 


Os claustros (quatro corredores que formam um quadrilátero) estão presentes em muitos palacetes que se transformaram em hotéis de luxo. A fonte no meio do claustro dá o toque final. Lindo de se ver!
Zoom na fonte com detalhes incas:
Cusco me impressionou!
Achei a cidade bem conservada, muito rica em história e relativamente segura para caminhadas, inclusive as noturnas. 
No entanto, é preciso ter muito cuidado com os ladões bate-carteira. Quando eu estava num supermercado de Cusco olhando temperos, uma moça me perguntou se tal tempero era bom. Eu respondi que não sabia, pois nunca tinha experimentado. Nessa hora senti minha bolsa mexendo. Olhei rapidamente pra baixo e vi a mão de um homem se recolher debaixo do boné, que ele usou pra disfarçar a própria mão que abria minha bolsa. Metade do zíper da bolsa já estava aberto e, por pouco, esta quadrilha não levou meu celular, cartão de crédito e dinheiro. Pessoal, eu estava dentro de um supermercado!!! Eles agiram em 3: uma pessoa para me distrair, uma para efetivamente roubar e outra pra ficar de sentinela.
Roubada mesmo eu fui dentro do ônibus da agência de turismo... Desci rapidamente do buzú com a turma para tirar algumas fotos e quando voltei, havia 50 soles (equivalente a R$ 50,00) a menos na bolsa que carrego a máquina fotográfica. Sei que dei bobeira em deixar a case da máquina com dinheiro no ônibus, mas o fiz porque o guia praticamente insistiu para deixarmos os pertences dentro do ônibus, era seguro. Quando dei falta do dinheiro entendi o porquê da insistência... Lição aprendida!  
Enfins... não nos esqueçamos que a América Latina é a América Latina... E que a segurança nestas bandas é sempre relativa.
Deixando a relativa segurança de escanteio, a viagem valeu muito a pena! O Peru satisfaz viajantes de todos os fôlegos e budgets, do mochileiro sem grana ao ricaço aventureiro. O país no geral recebe bem, os vôos são pontuais, as pessoas cordiais, comida é divina e a história é riquíssima! 
Passei 5 dias no Peru e acho o tempo suficiente para cobrir Lima, Cusco e Machu Pichu. 
Por falar em Machu Pichu, é pra lá que vamos no próximo post!