24 de fev de 2014

Meia entrada, culpa inteira

Já finalizei meu curso superior e pós-graduação há um par de anos. Portanto, não sou mais estudante. 
Eu até faço aulas de alemão na universidade, mas estudante, no rigor do termo, eu não sou. E como resultado, não tenho direito a pagar meia entrada em shows, cinemas, teatros e etc. 
Só que eu sou humana, brasileira, e naturalmente fico tentada a usufruir dos descontos, apesar de não ser mais estudante. 
Sei que estou errada, mas encontro subsídios para justificar a vontade de forjar uma carteirinha de estudante, sendo o primeiro deles o preço alto dos ingressos dos shows e cinemas. Isso mesmo! É muito caro acessar a cultura neste país. Eu bem que mereço uma carteirinha falsa pra fazer economia. 
Pensei... Pensei... Fiquei desconfortável com a ideia de forjar uma carteirinha de estudante, mas acabei decidindo fazê-la para pagar meia entrada no show do cantor inglês Elton John. O ingresso "cheio" custava R$ 360,00 e a meia R$ 180,00.
Qual ser humano não ficaria tentado em poupar R$ 180,00?
Na verdade, a economia seria de R$ 140,00, pois pela carteirinha falsa eu pagaria R$ 40,00. O esquema é bem tranquilo, o "forjador" pega em domicílio a foto 3x4 e a identidade do falso estudante e ele mesmo escolhe o curso. Eu fiquei até curiosa pra saber qual curso superior eu estaria cursando na minha carteirinha falsa... 
Mas houve um empecilho para a conclusão da carteirinha. O material para a confecção dela não chegaria antes do show, e eu já tinha comprado a meia entrada confiando que o prazo seria suficiente. 
Acabei vendendo meu ingresso para um tio, ele sim tem direito a meia entrada, e desisti de ir ao show. 
Desisti também de fazer a carteirinha. 
Só que o desconforto de ter batido na trave com a carteirinha forjada ficou rondando minha cachola. Eu me senti envergonhada. Me senti hipócrita por endossar o coro de todos aqueles que reclamam das mazelas sociais brasileiras, mas não conseguem transformar o discurso numa atitude de mudança. Afinal de contas, qual sociedade vai pra frente quando benefícios individuais justificam atitudes grotescas como a que eu estava prestes a tomar? 
Eu reclamo do Brasil, me emputeço, mas falar é realmente mais fácil que fazer. E fazer a coisa certa, a ponto de ser exemplar, é mais difícil ainda. 
Mas não é impossível. 
Eu decidi ir ao show. Comprei uma entrada inteira e paguei uma cacetada de R$ 360,00. Foi de alguma forma, minha redenção. 
Na entrada do estádio, eles nem conferiram as meias-entradas. Cheguei a pensar que eu poderia ter comprado a meia, sem carteirinha falsa, que eles nem iriam notar. Mas confesso que no meu íntimo, eu me senti orgulhosa por pagar o preço que eu realmente deveria pagar. Foi o preço da minha integridade. O preço que custa agir corretamente. O preço da consciência limpa e da mudança que quero ver no meu país. E em última instância, foi o preço de ver o Elton John fazendo um show espetacular em Goiânia.

Estou compartilhando este episódio aqui porque reclamo da bagunça generalizada do Brasil, mas reconheço uma coisa: mesmo cidadãos de bem - e assim me considero - são falhos. E nas nossas falhas nos reconhecemos humanos. 
Mas precisamos estar atentos, se não vigilantes, para não cair na vala dos que reclamam com o rabo preso, se valendo de mil justificativas para errar, quando na verdade, o acerto - e o certo - se mostram claramente e diariamente como escolhas factíveis.
E é a qualidade dessas escolhas individuais que vai determinar o caminho que a coletividade vai trilhar. 
Deu pra sentir o peso da responsabilidade, brasileiras e brasileiros?



♥  ♥  ♥ 

6 de fev de 2014

Que sensação boa ~ What a feeling


"What a feeling
Being's believing
I can't have it all 
Now I'm dancing for my life
Take your passion
And make it happen
Pictures come alive
You can dance right through your life"
1

♥  ♥  ♥