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Mostrando postagens de 2016

A metamorfose dos presentes

Já dizia Lulu Santos "tudo muda o tempo todo no mundo".  E o mundo interior também muda, se transforma, evolui. O que agradava, não agrada mais. O sabor que dava água na boca, agora traz repulsa. O presente que era o sonho de consumo, se torna irrelevante.  Nos transformamos tanto com o tempo que, por vezes, temos dificuldade em nos reconhecer em primaveras passadas... Ou em Natais passados.  Esses questionamentos transformistas vieram à tona desde que me propus a feliz tarefa de escolher os presentes do Natal de 2016. Não sou do time que luta contra o viés consumista que a data natalina instiga, pelo contrário, me delicio com a escolha dos presentes. Mas confesso que nem sempre escolho os presentes pensando em quem recebe. Muitas vezes, eu penso que sei o que vai agradar o outro, se não agora, no longo prazo.  Um exemplo disso é o presente que escolhi para minhas sobrinhas, de 5 e 2 anos. Comentei com minha irmã (a mãe delas) que eu estava pensando em editar um livro pra e…

Zínias ~ Zinnia Flowers

Ontem passei por um canteiro florido da minha cidade (Goiânia) e uma explosão de cores vivas me chamou a atenção. Achei que estava diante das dálias, mas descobri que o nome correto dessas flores é "Zínnia".  Até o nome delas é bonito :) A Zínnia é da família das margaridas e cresce naturalmente numa faixa que vai dos Estados Unidos até a América do Sul. É uma flor fácil de cuidar que ama sol e atrai muitas, muitas borboletas! Uma característica muito importante dessa flor é seu longo período de florescimento. E depois da colheita, basta podar e esperar por novas flores! Uma dádiva da natureza!  Com vocês a beleza das zínnias:


Muita paz e amor! ♥ ♥ ♥


Uma questão de referencial...

O domingo passado foi um dia ideal para curtir a preguiça. Choveu durante a tarde e o clima na cidade ficou fresco, propício para esticar o corpo no sofá e assistir TV.  Maridão e eu ficamos em sofa mode até tarde da noite, quando a chuva estiou e bateu aquela fome. O engraçado é que fome de domingo à noite nunca tem cara de alface, nem de palmito, nem de iogurte com granola. Fome de domingo à noite, pelo menos na nossa casa, tem cara de pizza.  O telefone da pizzaria só dava ocupado (ainda não usamos aplicativos para pedir comida) - então o jeito foi ir até a pizzaria e esperar uns minutinhos lá até a graciosa ficar pronta. A trouxemos para comer em casa.   Na volta, passamos por um parque. As janelas do carro estavam abertas, o que nos propiciou uma visão privilegiada de um grupo enorme de pessoas, todas com roupa de malhar, algumas se agachando, outras pulando corda, outras se preparando para correr. Eram umas 30 pessoas, às 10 da noite, fazendo treinamento funcional no parque.  -…

Su casa, mi casa?

A tecnologia tem feito maravilhas pelo turismo. Os avanços vão de sites que buscam passagens e hotéis com os melhores preços até plataformas que ligam proprietários de imóveis a locatários de curtíssima estadia, de forma bem descomplicada.  Além do avanço tecnológico, há o avanço cultural, tanto para quem abre as portas de casa para receber um estranho, quanto para quem embarca na experiência de se hospedar na casa de outra pessoa, igualmente estranha, mas parcialmente decifrável pelas referências encontradas nos sites. Esses avanços refletem as faces da economia do compartilhamento e colaboração (peer-to-peer), que enfatiza o uso, e não a posse, seja de bens, espaços ou serviços.  A indústria da hospedagem está sofrendo uma revolução tão abrupta na era da economia do compartilhamento que, atualmente, o Air ABNB, -plataforma que conecta quem tem um espaço pra locar a quem busca um espaço - vale 10 bilhões de dólares, mais do que a estabelecida rede de hotéis Hyatt. Detalhe: o AIR BNB …

Um vestido de várias noivas

O dia do casamento envolve inúmeras escolhas. A principal delas, claro, é a escolha do parceiro ou da parceira.
Partindo do princípio que essa escolha foi acertada, e melhor ainda, abençoada, seguimos para outras escolhas que são muito reparadas pelos convidados: a decoração da igreja e da festa, a comida, bebida, a alegria dos noivos e o vestido da noiva.
Essa indumentária sempre dá o que falar e é um dos itens mais esperados no grande dia.
Da perspectiva da noiva, escolher um vestido para usar no dia do casamento é uma grande responsabilidade, nem tanto pelo escrutínio de outrem, mas pela simbologia que esta roupa carrega. É usando esse determinado vestido que a noiva vai flutuar por um dos dias mais especiais da sua vida. É usando esse determinado vestido que ela entra na igreja, recebe o esposo, festeja com seus convidados. É esse vestido que vai se eternizar nas fotografias e filmagem... Então que seja um belo de um vestido.
No entanto, o belo é relativo. O que eu considero alta …

Drink perfeito para os trópicos ~ A tipsy popsicle

Me desculpe o trocadilho, mas o calor é o assunto mais quente do momento no centro-oeste brasileiro.  Nos espaços de espera forçada como elevadores e filas, o papo sempre envereda para o clima: - Tá quente, né? Tá sim meu senhor, minha senhora, e reclamar não fará o clima esfriar... Mas um bom ar-condicionado sim.
Há outros paliativos que nos ajudam a sobreviver num dia muito quente, como roupas leves, sucos gelados, prendedores de cabelo e drinks com picolé ;)  Há alguns dias recebemos em casa e para aliviar o calor servimos um drink que além de muito saboroso, é deveras  fotogênico.  É bem simples de fazer e leva: - Hortelã; - Prosecco ou champagnhe ice; - Picolé, preferencialmente de frutas cítricas.  Basta servir o prosecco geladinho com um picolé dentro e folhas de hortelã pra garantir mais frescor ainda. Como tenho um vaso de hortelã em casa, deixei que os convidados "colhessem" as folhas frescas. Por mais trivial que esse ato seja, alguns ainda se encantaram com o pe…

Balançou mas não caiu!

É minha gente... Esse bloguito balançou, balançou e quase caiu!  Não foi por falta de tempo, tampouco por falta de assunto, que deixei de escrever aqui. Foi por falta de vontade mesmo.  Boas ideias de textos frequentemente me visitavam mas, antes que os dedos alcançassem o teclado, as ideias batiam em retirada. E junto com elas, ia embora meu interesse por esse canto, seja lá qual aspecto geográfico/morfológico o "canto" assuma nessa história.  Depositei então minhas fichas no Instagram, imaginando que nele eu conseguiria expressar todas as minhas baboseiras em formato de imagens. Mas acabei descobrindo que uma imagem não vale mais que mil palavras... E apesar do Instagram ser muito bacana, me fez grande falta este espaço para guardar minhas elocubrações e os inúmeros monólogos que travo com vocês que me leem.  Por falar em vocês, pessoinhas lindas, serumaninhos iluminados, fiquei surpresa em saber que vocês de fato, existem.  Momento carência: me questionei porque gastar t…

Consolo celeste

Um balão nas mãos de uma criança é como ouro nas mãos de um adulto. Trata-se de um patrimônio. Mas basta um vento, ou uma suave distração, para o nó desatar dos dedinhos miúdos e patrimônio sair voando, deixando os pequenos à beira do desespero.  Nem os mais ágeis pulos nem os bracinhos alvoroçados são capazes de trazer o balão de volta. A perda, reforçada pela crescente altitude que o balão atinge em questão de segundos, traz à tona lágrimas desoladas. E mesmo nós, adultos corroídos por desfalques maiores, somos capazes fazer contato e nos solidarizar com essa pequena perda.  Dias atrás levei minhas duas sobrinhas ao zoológico e comprei um balão para cada. Nos sentamos na grama para lanchar e foi nesse breve momento de descuido que o balão da sobrinha de 2 anos saiu voando. Ela abriu um berreiro, e que choro sofrido era aquele meu Deus, parecia até que o balão era um ente querido que acabara de morrer. Observando a irmã mais nova desolada, a outra sobrinha (de 5 anos) abraçou a meno…

Leitura leviana

Há quem julgue o livro pela capa. E há quem julgue o outro pelos livros que ele (a) lê. Literatura russa? Intelectual. Graciliano Ramos? Vestibulando. Augusto Cury? Economizando na terapia. Paulo Coelho? Hippie new age.  E daí? Quem está lendo é você... Quem vai passar dias com o livro no colo, na bolsa, na cabeceira é você! Quem vai se beneficiar das informações ou da distração que o livro proporciona é você. De forma que o critério de escolha tem que partir unicamente de você e do seu momento.  Esse manifesto de libertação me veio à mente semana passada, quando visitei um sebo no centro da minha cidade. Aliás, sebo é um nome bem feio para designar uma loja de livros usados, mas tudo bem. Prefiro consumir livros usados num sebo e evitar a derrubada de um eucalipto a entrar no shopping e comprar um livro novinho. Essa atitude hoje me parece ambientalmente mais coerente.  Então lá estava eu percorrendo prateleiras de livros de segunda mão no sebo quando me flagrei na seção de romances…

Nem sempre acaba bem...

O dia tinha sido maravilhoso em Ghent, com sol a pino e muito bate perna. Já passava das dezoito horas quando eu e minhas duas amigas fomos acometidas pelo dilema do turista que quer aproveitar ao máximo as 24 horas do dia, mas o corpo já está berrando: banho e cama!!!  Decidimos entrar num lugar sossegado para uma saideira ligeira acompanhada por algum petisco, que na Bélgica poderia ser uma bela porção de batatas fritas.  Encontramos um bar bacaninha, meio escondido e vazio, que parecia a pedida perfeita para encerrar o dia.  Pedi uma taça do vinho da casa (pavoroso de ruim!), enquanto as amigas se deliciavam com suas cervejas belgas. Entre goles e batatas, jogamos conversa fora e planejamos o dia seguinte, tudo na maior paz.  Só que a paz - tanto a nossa quanto a do ambiente - foi para as cucuias no momento em que o bar foi invadido por uma manada de homens barulhentos e bêbados. Pelo sotaque, supus que eram ingleses. E pelo estado deplorável em que estavam, supus que se tratava d…

To bond = ligar, conectar, vincular

Há pessoas que são como o colo de Deus. Nelas encontramos abrigo para a alegria e consolo para a tristeza. Nelas existe pureza, nelas existe beleza; uma beleza que vai muito além do que se vê.  Uma beleza que irradia luz.  E luz atrai luz. Luz não atrai sombra.  Só nos preceitos da física para os opostos se atraírem...  Quando se trata de gente, a tendência é atrair os iguais: quem pensa como você, quem age de forma parecida, quem tem valores e gostos similares. Não que nos limitemos ao iguais! Mas é um caminho natural ir agregando à vida pessoas que se pareçam com a gente.  Pois bem... Há 4 anos eu acompanho uma pessoinha na blogosfera chamada Ana, Ela adora fotografia (e arrasa nas fotos), ela gosta de flores, tem um caráter firme, reto, correto, em suma: é um doce de pessoa e me identifico muito com ela. Quando surgiu a oportunidade de nos conhecermos pessoalmente na Alemanha, eu fiquei muito empolgada. Foi um pouco penoso explicar ao maridão que eu conhecia a Ana, mas não a conhe…

Retratos da primavera na Europa ~ Springtime in Europe

Flores, viagens e outras alegrias ~ é assim que descrevo este blog. Vou tratar destes três tópicos. Tudo junto e misturado, do jeitinho que a gente gosta. A primavera estava pintando na Europa... Eu e maridão queríamos viajar... Promoção relâmpago na TAM... Não deu outra! Compramos as passagens rumo a um cantinho do mundo que gostamos por vários motivos: segurança, paisagens lindas, comida boa, gente educada, estradas "tapetinho" e amigas muito especiais que gostaríamos de conhecer pessoalmente.  Começamos nossa viagem pelo sul da Baviera.  Meu esposo sabe que eu morei nessa região quando estava noiva de um alemão, mas o passado não ofereceu nenhum impeditivo para nossos passeios. O Rodrigo tem uma cabeça muito boa e se garante (#orgulhodomaridão).  Vocês que vivem aí na Zoropa devem estar acostumadas ao espetáculo que é a chegada da primavera... Mas a criatura aqui não está... Nessa viagem abandonei de vez o jejum fotográfico e cliquei como se não houvesse amanhã :)



Bastav…

Velhos jardins, novos olhares ~ Old gardens, new approaches

A correria do trânsito (e da vida) me tirou a oportunidade de observar com mais sensibilidade um pequeno canteiro florido que existe indiferente a olhares e pouco se importando com a valorização de sua grandeza.  Mas foi o mesmo trânsito - dessa vez parado - que me possibilitou um momento de contemplação a esse canteiro florido pela janela do carro. Percebi naquele pequeno espaço de terra uma riqueza enorme de cores, todas oriundas de uma mesma espécie de flores: os crisântemos, notoriamente conhecidos pela fartura de pétalas.  Decidi que se o sábado amanhecesse ensolarado, tiraria minha máquina fotográfica do ostracismo e faria algumas fotos no canteiro. Eis que o sabadão nasceu ensolarado e aproveitei a luz da manhã pra fazer as fotos.  Olhado de longe, aquele canteiro parece um amontoado confuso de flores - algumas já secas e outras ainda desabrochando. Olhado de perto, aquele canteiro é uma explosão de vida, um oásis de cores, uma ceia farta de cenas suaves e delicadas.   Me embr…

Lanchinho no hotel ~ Eating a self made snack at the hotel room

Que atire a primeira baguete quem nunca comprou alguns ingredientes no supermercado e preparou um lanchinho no quarto de hotel! Se não foi o pão e o presunto, pelo menos a água mineral mais barata você deve ter comprado no supermercado... Ou o refrigerante... Ou a batata Pringles...   Me recuso a acreditar que sou a única turista farofeira a fazer essas coisas...  Hum, está se lembrando de algo? Ao invés de consumir aquele chocolate caro que o hotel exibia encima do frigobar, achando que você é besta, você comprou um igualzinho na rua e comeu no quarto de hotel?!?  Bate aqui, somos do time das pessoas normais! Vários motivos nos levam a comprar coisas fora do hotel para consumir dentro do quarto. Podemos ser motivados pela economia, pela praticidade, alguns pela restrição alimentar, outros pela preguiça de sair pra comer... Cada turista tem seu motivo.  Eu tenho vários, a começar pelo instinthus farofeyrus que carrego dentro do peito kkkkkkkk. Brincadeiras à parte, o que mais me moti…

O valor das moedinhas

Em retrospecto, todos os domingos da minha infância parecem iguais. A mãe preparava iguarias na cozinha. Minha irmã e eu escalávamos a goiabeira, nossa grande nave espacial. Já o pai ouvia música sertaneja sentado ao pé da radiola.
Quando nos aproximávamos do almoço, eu sabia, e ansiava, pelo pedido que meu pai sempre me fazia: - Filha, vá a lanchonete comprar uma cerveja pro Papai! - Bem gelada, filha. – insistia ele, com a voz branda. - Traga o troco! – finalizava ele, com o tom da voz notoriamente mais alto, mais sério, demandador. Me dava até um medinho quando eu pegava a nota de dinheiro da mão dele. Mas eu não deixava o medo transparecer, afinal de contas, eu era uma astronauta de goiabeira, acostumada a inúmeros desafios.
Eu apertava a nota no punho já cerrado, primeiro para senti-la, depois para assegurar-me que a nota não escaparia entre meus dedos, e caminhava ligeiro rumo a lanchonete. Dois minutos depois, eu estava lá. Era sempre um alívio abrir o punho e ver a nota al…