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Mostrando postagens de Fevereiro, 2016

O valor das moedinhas

Em retrospecto, todos os domingos da minha infância parecem iguais. A mãe preparava iguarias na cozinha. Minha irmã e eu escalávamos a goiabeira, nossa grande nave espacial. Já o pai ouvia música sertaneja sentado ao pé da radiola.
Quando nos aproximávamos do almoço, eu sabia, e ansiava, pelo pedido que meu pai sempre me fazia: - Filha, vá a lanchonete comprar uma cerveja pro Papai! - Bem gelada, filha. – insistia ele, com a voz branda. - Traga o troco! – finalizava ele, com o tom da voz notoriamente mais alto, mais sério, demandador. Me dava até um medinho quando eu pegava a nota de dinheiro da mão dele. Mas eu não deixava o medo transparecer, afinal de contas, eu era uma astronauta de goiabeira, acostumada a inúmeros desafios.
Eu apertava a nota no punho já cerrado, primeiro para senti-la, depois para assegurar-me que a nota não escaparia entre meus dedos, e caminhava ligeiro rumo a lanchonete. Dois minutos depois, eu estava lá. Era sempre um alívio abrir o punho e ver a nota al…