20 de jan de 2017

O vício da sacolinha no Brasil

O consumidor brasileiro não desgruda de uma sacolinha plástica. Por menor e mais leve que seja a compra, o consumidor exige uma sacolinha para chamar de sua. Porque somos assim?

Fico pasma de observar as pessoas na padaria. Mesmo que os pães e quitutes estejam devidamente envelopados pelo saco de papel reforçado, as pessoas geralmente pedem uma sacolinha de plástico - daquelas bem vagabundas - ao caixa. 

Na farmácia é a mesma história. O indivíduo compra uma cartela de remédios e, ainda assim, pega uma sacola plástica para jogar no lixo quando chegar em casa. Bolsos e bolsas serviriam tranquilamente para este ligeiro transporte, mas não tem jeito... O brasileiro tem que pegar uma sacola pra se sentir gente. 

No supermercado a cena é ainda mais obscena no espectro ambientalista: os consumidores enfiam várias sacolinhas dentro das sacolinhas para levarem as suas casas, com o argumento de que precisam usá-las nos cestos de lixo de suas casas. 

Ok, eu entendo esse argumento e também faço uso das sacolas plásticas nos cestos de lixo da minha própria casa.

Mas o que as pessoas não percebem é que quanto menos sacolas plásticas elas têm em casa, melhor será o uso que fazem delas. Existe uma otimização natural do recurso diante da sua escassez, e isso não implica em falta de higiene. 

No meu prédio por exemplo existe a coleta seletiva. O lixo que coleto em casa no cesto de recicláveis vai direto pro cesto do prédio, e volto com a sacola para uma nova utilização. Quando a sacola está suja eu obviamente a descarto, mas eu de fato utilizo a sacola plástica o máximo possível. Com o lixo orgânico fica mais difícil, ainda assim, procuro fazer o melhor que posso com as poucas sacolas plásticas que pego nos supermercados. 

Sou muito sensível à questão dos resíduos sólidos. Fui fortemente influenciada pelas práticas do povo alemão durante o período em que na Alemanha morei. E confesso que depois de conviver com tamanho respeito pelo meio ambiente, mesmo anos depois, ainda me assusto com o descaso do brasileiro com o volume de plástico que ele está deixando no meio ambiente. É como se o problema simplesmente não existisse, embora nossos aterros estejam cada vez mais volumosos e nossos rios poluídos. 

Vejo alguns pequenos vestígios de mudança com as sacolas retornáveis, mas o lixo grita enquanto a mudança sussurra. 

Minha sobrinha Estela adora entrar na cesta de compras :)
Eu me policio sempre e procuro pegar a menor quantidade possível de sacolas, de plástico ou mesmo de papel. Para me ajudar na tarefa, conto com duas cestas da marca Reisenthel, coincidentemente (ou não) alemã, e as carrego frequentemente a supermercados e feiras. Elas são incrivelmente lindas e funcionais, e o acolchoado na alça ajuda quando o peso dos produtos exige uma força extra. Muitas pessoas me perguntam onde eu comprei a cesta, elas parecem se empolgar com quanta coisa eu carrego dentro. Mas entre se empolgar e comprar uma cesta para si, mesmo que não tão vistosa, existe uma boa caminhada...

Para concluir meu desabafo, compartilho aqui um fato engraçado que me aconteceu dias atrás. Eu estava numa loja de produtos naturais de Goiânia e, antes de pagar pelas minhas compras, notei que um outro cliente estava devolvendo ao vendedor 3 sacolas grandes de papel com o logotipo da loja. 
O cliente disse:
- Estão novinhas, sem nenhum defeito. 
O vendedor agradeceu e falou que o crédito dele na loja era de R$ 3,00, ou seja, R$ 1,00 por sacola grande devolvida. 
Achei aquilo bacana, um exemplo de logística reversa que funciona bem porque reverbera no bolso do cliente. Era a minha primeira visita à loja e eu estava gostando daquele esquema bacana. 
Daí, quando fui pagar pelas minhas compras, falei ao caixa:
- Não pegarei nenhuma sacola pois trouxe minha própria cesta. 
Eu esperei que ele me desse o desconto de R$ 1,00, já que eu não tinha consumido nenhuma sacola da loja. Ou que me dessem uma balinha de gengibre... Mas nada aconteceu. O caixa se ateve a dizer que o desconto só é concedido quando as sacolas retornam à loja, e eu acrescento: não existe desconto quando a sacola "deixa de sair".

Não consegui entender bem a lógica ambiental do retorno da sacola neste estabelecimento, embora eu tenha entendido perfeitamente a lógica financeira. Loja Quintal Orgânico... É possível e preciso fazer melhor. 

Brasileiros: é possível e preciso fazer melhor. Vamos olhar com carinho para as oportunidades de consumir agredindo menos nosso precioso meio ambiente. 

E vocês que moram fora, como vêem o uso de sacolas nos países em que moram? 

♥  ♥